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Júri em Luziânia: Visita ao Local do Crime Marca Julgamento Incomum

  • 14 de mai.
  • 2 min de leitura

Imagine a cena: juiz, jurados, promotores e advogados saindo do fórum e entrando em carros rumo à zona rural. Parece roteiro de filme. Mas aconteceu na semana passada, em Luziânia, no interior de Goiás.


Durante uma sessão do Tribunal do Júri, o juiz Victor Alvares Cimini Ribeiro tomou uma decisão incomum. Levou todos os envolvidos no julgamento até a Fazenda Santo Antônio da Boa Vista, na zona rural do município, para que pudessem ver com os próprios olhos o local onde os fatos investigados aconteceram.


O objetivo era claro: esclarecer questões sobre a localização da propriedade, as distâncias entre os terrenos vizinhos e a possibilidade de as vítimas terem ingressado na fazenda dos acusados. No papel, esses detalhes podem parecer abstratos. No local, ganham outra dimensão.


O Caso



O fazendeiro Cleiton da Silva Gomes e seu caseiro, Jocivaldo Ribeiro de Abreu, respondiam pela morte de João Cláudio Gonçalves dos Santos e pelas tentativas de homicídio contra Lucas Gabriel Pereira da Silva e Daniel Gonçalves Duarte. Os fatos teriam ocorrido em março de 2021.


A acusação sustentava que as vítimas foram atraídas até a propriedade e, ao chegarem de motocicleta, teriam sido surpreendidas por disparos efetuados por Jocivaldo. João Cláudio faleceu no local. Lucas e Daniel conseguiram fugir.


O Ministério Público também alegou que os acusados tentaram alterar a cena do crime ao colocar uma espingarda ao lado do corpo da vítima — hipótese tratada como fraude processual.


A defesa, por outro lado, sustentou legítima defesa. Argumentou que as vítimas teriam rompido cadeados da propriedade e avançado em direção à sede da fazenda, momento em que Jocivaldo teria reagido utilizando armas pertencentes ao proprietário Cleiton.


A Decisão dos Jurados


O julgamento durou três dias consecutivos. Durante todo o período, os jurados permaneceram hospedados em hotel da cidade, cumprindo a regra de incomunicabilidade prevista para sessões do Tribunal do Júri.


Ao final, o conselho de sentença acolheu a tese da defesa. Os jurados concluíram que houve legítima defesa e que não ocorreu alteração da cena do crime. Entenderam que a espingarda encontrada próxima ao corpo de João Cláudio pertencia às próprias vítimas. Os dois réus foram absolvidos.


A visita ao local do crime foi determinante para a compreensão dos fatos. Trata-se de uma ferramenta processual prevista em lei, mas raramente utilizada na prática dos tribunais do júri. O caso de Luziânia mostra que o contato direto com a realidade pode transformar a percepção de quem julga — e reforça que, no Direito Penal, cada detalhe importa.

 
 
 

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