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CNI questiona medida provisória que zera imposto de importação no STF

  • há 13 horas
  • 4 min de leitura

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) ingressou com uma ação direta de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a medida provisória que zerou a alíquota do imposto de importação para compras internacionais de até 50 dólares, popularmente conhecida como "taxa das blusinhas". A entidade alega que a medida, implementada pela MP 1.357/2026, cria um ambiente de concorrência desleal para as empresas brasileiras, em especial para micro e pequenos negócios do varejo e da indústria nacional.


A CNI argumenta que a medida favorece plataformas estrangeiras de comércio eletrônico, que passam a operar sob alíquota zero para remessas de pequeno valor, enquanto as empresas brasileiras continuam a arcar com uma carga tributária considerável. A confederação sustenta que a desoneração afronta princípios constitucionais fundamentais, como a isonomia tributária, a livre concorrência e a proteção do mercado interno como patrimônio nacional.


O advogado Marco Tulio Elias Alves, especialista em direito constitucional, avalia que a ação da CNI levanta questões pertinentes sobre o uso de medidas provisórias. Segundo ele, a Constituição exige urgência e relevância para a edição de MPs, o que pode não ter sido devidamente justificado pelo governo, considerando que o tema já estava em discussão no Congresso por meio de projetos de lei. Isso poderia configurar uma violação ao devido processo legislativo e à separação dos poderes.


Além disso, a CNI aponta que a tributação das remessas internacionais de até 50 dólares havia sido instituída pela Lei 14.902/2024, aprovada no âmbito do Programa Mover. A entidade questiona a revogação da cobrança por meio de uma medida provisória, uma vez que não houve mudanças significativas no cenário econômico que justificassem tal ação. A arrecadação federal, segundo a CNI, vinha crescendo e o comércio eletrônico internacional manteve sua configuração.


A confederação também critica a motivação política e eleitoral por trás da edição da medida provisória. A CNI alega que o governo utilizou um instrumento excepcional para alterar unilateralmente uma política pública previamente aprovada pelo Congresso, sem a devida urgência constitucional. Essa postura, segundo a entidade, representa uma afronta à separação dos poderes e ao processo legislativo regular.


Outro ponto levantado pela CNI é a violação ao tratamento favorecido que a Constituição garante às micro e pequenas empresas brasileiras. A entidade afirma que a medida provisória restabelece uma assimetria tributária que prejudica diretamente as empresas nacionais, que competem com plataformas estrangeiras em setores como vestuário, calçados, cosméticos e eletrônicos.


A CNI destaca ainda que a medida terá um "efeito cascata" sobre outros tributos, já que o imposto de importação integra a base de cálculo de contribuições e impostos internos. Isso resultará em uma carga tributária significativamente maior para as empresas brasileiras ao longo da cadeia econômica, prejudicando sua competitividade.


Por fim, a confederação apresenta dados que demonstram os efeitos positivos da tributação das compras internacionais de pequeno valor, implementada em 2024. Segundo a CNI, a arrecadação com o imposto sobre remessas internacionais aumentou significativamente, preservando empregos e gerando impacto econômico positivo no Brasil.


Impactos econômicos e sociais do fim da "taxa das blusinhas"



A decisão do governo de zerar a alíquota do imposto de importação para compras internacionais de até 50 dólares, conhecida como "taxa das blusinhas", tem gerado debates acalorados sobre seus impactos econômicos e sociais no Brasil. A medida, contestada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no Supremo Tribunal Federal, é vista por muitos como um fator de desequilíbrio no mercado, favorecendo plataformas estrangeiras em detrimento das empresas nacionais.


Um dos principais argumentos contrários à medida é o potencial impacto negativo sobre a competitividade das micro e pequenas empresas brasileiras. Essas empresas, que já enfrentam desafios significativos em termos de carga tributária e obrigações regulatórias, veem-se em desvantagem ao competir com produtos importados que agora chegam ao país sem a incidência do imposto de importação. Isso pode levar a uma redução nas vendas e, consequentemente, na capacidade de geração de empregos.


Além disso, a medida pode afetar a arrecadação tributária do país. Dados apresentados pela CNI indicam que a tributação das remessas internacionais de pequeno valor havia gerado um aumento significativo na arrecadação federal desde sua implementação em 2024. Com a alíquota zerada, há o risco de uma diminuição nos recursos disponíveis para investimentos em áreas essenciais, como saúde e educação.


O impacto social também é uma preocupação. A CNI estima que a tributação das compras internacionais de pequeno valor preservou cerca de 135 mil empregos no Brasil. Com a mudança, há o receio de que muitos desses postos de trabalho possam ser perdidos, agravando o desemprego e aumentando a pressão sobre os sistemas de assistência social.


A medida também levanta questões sobre a proteção do mercado interno. Ao favorecer produtos importados, o governo pode estar colocando em risco setores estratégicos da economia nacional, como o de vestuário, calçados, cosméticos e eletrônicos. Esses setores, que empregam milhares de brasileiros, podem enfrentar dificuldades adicionais para competir em um mercado cada vez mais globalizado.


Por outro lado, defensores da medida argumentam que a desoneração pode beneficiar os consumidores, que terão acesso a uma maior variedade de produtos a preços mais baixos. No entanto, essa perspectiva ignora os efeitos de longo prazo sobre a economia nacional e a sustentabilidade das empresas brasileiras.


A discussão sobre a medida provisória também reflete um debate mais amplo sobre a política econômica do país. O uso de medidas provisórias para implementar mudanças significativas na política tributária é visto por muitos como uma prática questionável, que pode minar a confiança nas instituições e no processo legislativo.


Em última análise, a decisão sobre a manutenção ou não da "taxa das blusinhas" terá implicações de longo alcance para a economia e a sociedade brasileiras. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar a ação da CNI, terá a tarefa de equilibrar os interesses de diversos setores e garantir que a decisão esteja alinhada com os princípios constitucionais e o desenvolvimento sustentável do país.


Fonte consultada: ConJur

 
 
 

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