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Onde está o Privilégio?



As pessoas só conseguem enxergar a ponta do iceberg.

 

Vejo muita gente dizendo que gostaria de ser um astro como Will Smith ou um advogado importante como o Nelson Willians. Mas será que estão dispostos a fazer o que eles fizeram, para chegar onde estão?

 

Concordo que o ponto de partida é diferente para cada um, mas muitas pessoas privilegiadas não conseguiram alcançar seu lugar ao sol. Outro dia escutei de um Desembargador, que seu filho era um fracasso. Se não fosse ele (o pai) pagar as contas e tomar a frente para resolver as coisas, o pobre garoto de mais de 40 anos não conseguiria se manter, cuidar da fazenda que ganhou e nem organizar tarefas cotidianas.

 

E, ao mesmo tempo, vejo um Nelson Willians, que mesmo sem estrutura inicial elementar, construiu um império.


 

O que estou querendo dizer é que mesmo com pontos de partidas diferentes é possível alcançar resultados promissores a depender do seu empenho, desejo, disciplina e foco.

 

Quando alguém me diz que tive sorte ou fui privilegiado por ser branco, lembro de todas as escolas públicas que frequentei, dos ônibus lotados que tomei para ir trabalhar, desde os 13 anos e que já fui até menino de rua. Será que o privilégio que alguns enxergam está realmente relacionado à cor da pele, ou será que é uma combinação de fatores que incluem esforço, determinação e escolhas individuais?

 

É um ponto interessante que você levanta sobre a percepção das pessoas em relação ao sucesso de figuras públicas. Muitas vezes, as pessoas veem apenas o resultado e não compreendem o esforço, as dificuldades e os desafios enfrentados ao longo do caminho.

 

Eu, por exemplo, já trabalhei vendendo leite de carroça com meu avô. Éramos leiteiros que passavam de porta em porta na periferia, medindo o leite vendido com uma lata de óleo presa numa alça. Acordávamos as 5h para juntar as vaquinhas, tirar o leite e sair para vender.

 

Era uma propriedade rural pequena, sem energia elétrica ou equipamentos modernos. Tudo que usávamos para fazer o trabalho era uma corda, balde de alumínio, um banquinho e as mãos. Onde está o privilégio nisso? 

 

A jornada de cada indivíduo é única, e o sucesso pode ser resultado de uma combinação de fatores, como habilidades, esforço, networking, resiliência e até mesmo sorte em alguns casos.

 

Mas eventualmente a sorte aparece, e insistimos em não estarmos prontos. Começamos a culpar tudo e todos por mais uma oportunidade perdida.

 

O privilégio pode assumir diversas formas, não se limitando apenas à questão racial. Pode envolver questões socioeconômicas, acesso à educação de qualidade, oportunidades de emprego, entre outros fatores. Às vezes, as pessoas podem subestimar os desafios que outros enfrentam, seja por assumirem que o sucesso é fácil ou por desconhecimento das dificuldades reais.

 

Cada indivíduo carrega uma história única, e é importante reconhecer que as circunstâncias podem variar significativamente. Ao mesmo tempo, acreditar na capacidade de superação e no impacto das escolhas individuais pode ser um motivador poderoso para alcançar objetivos e superar desafios.

 


Minha mãe se sentia privilegiada. Quando adolescente foi trabalhar na casa de uma família rica, como empregada doméstica, em troca de moradia e escola. Para muitos, uma situação precária e para ela, uma oportunidade. Desde criança a escuto dizer que pessoas ricas têm uma percepção diferente do mundo, se comportam e agem fora dos padrões que estamos acostumados. Foi um universo novo que se descortinou à sua frente, que permitiu a ela entender o que precisava mudar em sua própria vida, para sair da corrida de ratos e alcançar um degrau um pouco melhor, inclusive, ensinando aos filhos como buscar seus objetivos sem terceirizar as responsabilidades. Somos os únicos responsáveis por nosso destino, ainda que um governo bom ou ruim possa ajudar, ou dificultar a jornada, estamos cheios de exemplos de pessoas ricas que quebraram em tempos bons e pessoas pobres que enriqueceram em tempos difíceis.

 

As oportunidades estão por aí e precisamos aprender a identificá-las.

 

Minha mãe teve muito sucesso na vida, construiu sua própria empresa e a vendeu ainda jovem para se aposentar. É a melhor forma de realização que consigo imaginar.

 

Eu e meu irmão alcançamos uma posição profissional e econômica, que na infância, não conseguiríamos imaginar ser possível. Não que sejamos podres de ricos, pois não somos, mas tenho a convicção que estamos muito acima da média dos brasileiros, quando o assunto é estabilidade financeira.

 

Temos qualidade de vida, podemos dedicar a projetos pessoais que são importantes, já viajamos por muitos países, saímos de férias em média duas vezes ao ano, trocamos de carro sempre que sentimos necessidade e não temos dificuldades com as contas. Já estou me organizando para comprar um carro para Maria, minha filha, no próximo ano, quando ela deve tirar carteira de motorista e planejo pagar à vista.

 

Quando um garoto como eu, em 1995 ou 1996, imaginou que teria um carro novo? Nunca! Hoje, além de ter o carro novo, posso comprar um para minha filha, sem dever nada, e é algo surreal.

 

Privilégios existem, mas não são suficientes para levar alguém ao sucesso. A discussão é complexa e negar a importância do esforço pessoal e do comprometimento nessa equação é arranjar argumentos para não fazer o que é preciso para mudar de vida.



Hoje, dia 26/12/2023, apesar de ter condições e recursos para fazer algo legal ou viajar com a família, decidi trabalhar com minha filha. Juntos fomos adiantar umas tarefas, aprender novas habilidades e planejar. Não por ganância, mas pela crença de que devemos fazer o que for NECESSÁRIO para alcançar nossos objetivos e metas.

 

Fazer o necessário sempre envolverá sair da zona de conforto, pois uma parte sua precisa morrer em sacrifício, para uma parte melhor surgir. Sacrifícios são máquinas que nos transportam no tempo e espaço e nos colocam onde queremos estar. Vai embarcar na sua própria jornada ou ficar assistindo à caminhada das outras pessoas, para viver reclamando, julgando e acusando-as de privilégios?

 

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